Título no Brasil: Código PretoTítulo Original: Black Bag
Ano: 2025
País: Estados Unidos
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: David Koepp
Elenco: Michael Fassbender, Cate Blanchett, Tom Burke
Nota: 3,5/5.0
Por Amanda Gomes
É preciso escolher: seu casamento ou sua lealdade? Em Código Preto, acompanhamos o casal de agentes espiões Kathryn e George. Dentro de casa, a vida matrimonial é tranquila e apaixonada, os dois respeitando os segredos e as discrições da profissão.
Quando, porém, alguém parece ter vazado informações confidenciais e perigosas da inteligência, Kathryn é a principal suspeita. A missão de George, agora, é descobrir se sua esposa é a verdadeira traidora, testando a confiança de seu casamento. De maneira extraoficial, George precisa ser discreto e encarar um dos maiores testes de sua carreira e vida pessoal: ser leal ao seu país ou ao seu relacionamento.
Código Preto apesar da premissa intrigante e do charme do elenco, o filme fica no meio do caminho entre a homenagem e a sátira – e acaba tropeçando no próprio desfecho.
O diretor, no entanto, não está interessado em uma história tradicional de espiões. Seu foco está na dinâmica conjugal dos protagonistas – um jogo de segredos e desconfianças em que a vida pessoal e profissional se confundem. A espionagem aqui não é apenas um pano de fundo, mas uma metáfora para o casamento: cada ação de George e Kathryn afeta o outro diretamente, como num intrincado tabuleiro de xadrez emocional.
O roteiro brinca com os clichês do gênero, satirizando a frieza dos agentes secretos. Fassbender, sempre meticuloso, constrói um George que tenta manter o controle, mas cuja vulnerabilidade transparece nos momentos certos. Blanchett, por sua vez, traz um magnetismo calculado para Kathryn, mantendo o espectador constantemente na dúvida sobre suas reais intenções.
Visualmente, Código Preto bebe da tradição do gênero. Utiliza planos fechados para intensificar a tensão, planos abertos para destacar a coreografia dos personagens e até ângulos inclinados para sugerir o desequilíbrio da situação. A fotografia elegante e os figurinos impecáveis reforçam a identidade estilizada do filme, remetendo tanto aos thrillers políticos dos anos 70 quanto ao glamour de 007.
O humor é outro trunfo da produção. Diferente da ação explosiva de Sr. & Sra. Smith, o casal de espiões aqui se envolve em algo mais parecido com uma sessão de terapia, onde traições e desconfianças são expostas sob o pretexto da profissão. A participação de Pierce Brosnan – um ex-James Bond – só reforça o tom irônico do projeto.