quinta-feira, 11 de junho de 2026

Dia D [Crítica ]


 Título no Brasil: Dia D

Título Original: Disclosure Day 

Ano: 2026

Direção: Steven Spielberg 

Roteirista: David Koepp  

Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes


Steven Spielberg voltando à ficção científica é sempre um acontecimento. Mesmo para quem não acompanha toda a filmografia do diretor de forma obsessiva, existe aquela expectativa inevitável de reencontrar um pouco da magia de filmes como “E.T”. ou “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”. 

A trama acompanha personagens que acabam envolvidos em uma conspiração ligada à existência de vida extraterrestre e à tentativa de impedir que certas informações cheguem ao público. Entre perseguições, segredos governamentais e acontecimentos inexplicáveis, Spielberg constrói uma história que mistura suspense, ficção científica e aventura, sempre colocando as emoções humanas no centro da narrativa.

O grande destaque do filme é Emily Blunt. Sua Margaret, uma apresentadora da previsão do tempo que passa a experimentar fenômenos que desafiam qualquer lógica, é de longe a personagem mais interessante da história. A atriz consegue equilibrar humor, vulnerabilidade e estranhamento com muita naturalidade, trazendo humanidade até para os momentos mais absurdos do roteiro. Josh O'Connor também funciona bem como um dos protagonistas, enquanto Colin Firth entrega um antagonista eficiente, embora pouco memorável.

O problema é que “Dia D” parece dividido entre dois filmes diferentes. De um lado, existe uma ficção científica intrigante sobre empatia, comunicação e o impacto que uma revelação dessa magnitude teria sobre a humanidade. Do outro, há um suspense de ação cheio de perseguições, fugas improváveis e sequências que lembram franquias como “Missão: Impossível”. Nem sempre essas duas propostas conversam tão bem entre si.




Spielberg continua sendo um diretor extremamente habilidoso. O filme é visualmente elegante, mantém um bom ritmo e consegue despertar curiosidade sobre seus mistérios. A trilha sonora, mais uma vez, ajuda a amplificar a emoção de determinadas cenas, e há momentos que resgatam aquele olhar otimista e quase infantil que marcou tantos de seus clássicos.

Ainda assim, saí da sessão com uma sensação curiosa: gostei do filme mais do que desgostei dele, mas esperava me sentir mais impactada. “Dia D” é envolvente, sincero e até emocionante em alguns momentos, mas parece hesitar justamente quando poderia ir mais fundo nas consequências de sua própria premissa. Quando finalmente chega a hora das grandes respostas, a resolução soa menos grandiosa do que a expectativa construída ao longo do caminho.

No fim das contas, Dia D está longe de ser um dos melhores filmes da carreira de Spielberg, mas também passa longe de ser uma decepção completa. É uma ficção científica feita com coração, interessada nas pessoas antes dos efeitos especiais e que ainda acredita que o desconhecido pode despertar esperança em vez de medo. Talvez não seja um novo clássico, mas é o tipo de filme que nos lembra por que Spielberg continua sendo uma das vozes mais importantes do cinema: porque, mesmo quando não acerta completamente, ele nunca perde a capacidade de nos fazer olhar para o céu e imaginar que existe algo maior lá fora.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

100 noites de desejo - uma história sobre pertencimento e luta! Amei!

 


(100 Nights of Hero, GBR, 2025)
Gênero: Fantasia
  • Direção: Julia Jackman
  • Roteiro: Julia Jackman
  • Elenco: Emma Corrin, Nicholas Galitzine, Maika Monroe, Charli XCX, Richard E. Grant, Felicity Jones
  • Duração: 91 minutos

Todo Mundo em Pânico 6

 


Título no Brasil: Todo Mundo em Pânico 6

Título Original: Scary Movie

País: EUA

Ano: 2026

Direção: Michael Tiddes 

Roteirista: Shawn Wayans, Marlon Wayans 

Elenco: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes


Confesso que nunca fui uma grande fã de “Todo Mundo em Pânico”. Assisti aos dois primeiros filmes quando era mais nova, vi alguns filmes soltos da franquia original e, como boa parte das pessoas da minha geração, cresci cercada pelas referências, memes e cenas que acabaram entrando para a cultura pop. Também preciso admitir que esse tipo de humor escrachado nunca foi exatamente o meu favorito. Ainda assim, sempre enxerguei um charme especial nos primeiros filmes, que conseguiam misturar sátira, absurdo e comentários sobre o cinema de terror de uma forma divertida.

Por isso, fui assistir a “Todo Mundo em Pânico 6” sem grandes expectativas. Depois de treze anos sem um novo capítulo da franquia, a principal dúvida era se ainda existia espaço para esse tipo de comédia em uma época em que as referências surgem e envelhecem na velocidade das redes sociais. A resposta é: sim, mas com algumas ressalvas.

O novo filme aposta fortemente na nostalgia. O retorno de personagens clássicos e dos irmãos Wayans ajuda a recuperar parte da identidade que muitos fãs sentiam falta desde os primeiros longas. Existe uma clara tentativa de lembrar ao público por que a franquia fez tanto sucesso nos anos 2000, e em alguns momentos isso realmente funciona.



As melhores piadas surgem quando o roteiro brinca com os clichês dos filmes de terror de forma mais ampla, em vez de apenas recriar cenas famosas. Há boas piadas envolvendo franquias conhecidas, situações absurdas e até algumas críticas ao próprio estado atual de Hollywood, especialmente à obsessão por continuações, reboots e personagens clássicos retornando décadas depois.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Mestres do Universo

 


Título no Brasil: Mestres do Universo

Título Original: Masters Of The Universe

Ano: 2026

Direção: Travis Knight 

Roteirista: Chris Butler 

Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Alison Brie

Nota: 4/5

País; EUA

Por Amanda Gomes

Eu nunca assisti ao desenho original de He-Man. Minha referência ao personagem sempre foi mais visual: o herói musculoso de cabelo loiro. Por isso, entrei na sessão de “Mestres do Universo” sem a bagagem nostálgica que muitos espectadores provavelmente carregam. E talvez tenha sido justamente isso que tornou a experiência tão interessante.

O filme não tenta se transformar em algo mais sério ou complexo do que realmente é. Pelo contrário: abraça seu lado extravagante, divertido e até um pouco brega, e isso funciona muito bem. 

Nicholas Galitzine entrega um Adam carismático e humano, distante daquela imagem de herói perfeito e inalcançável. Antes de se tornar He-Man, ele é um jovem cheio de dúvidas e inseguranças, o que torna sua jornada mais fácil de acompanhar. O elenco de apoio também cumpre bem seu papel, especialmente Camila Mendes como Teela, que ganha espaço próprio na narrativa e não existe apenas para orbitar o protagonista.


Visualmente, o filme abraça a fantasia sem vergonha. O Esqueleto, interpretado por Jared Leto, surge exatamente como um vilão clássico deve ser: exagerado, ameaçador e divertido. Eternia parece saída diretamente de uma animação dos anos 80, mas com a tecnologia que uma superprodução atual permite.

A produção também tem senso de humor suficiente para rir de si mesma. Algumas das melhores cenas acontecem justamente quando o filme reconhece o quão absurda sua própria proposta pode parecer. E sim, há uma referência ao famoso meme envolvendo He-Man que arrancou risadas da sessão inteira.

Nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, a história segue uma fórmula muito conhecida de filmes de origem de heróis, o que tira um pouco do impacto da narrativa. Ainda assim, o carisma dos personagens e o tom leve compensam boa parte dessas escolhas.

No fim, “Mestres do Universo” não tenta mudar o cinema nem reinventar o gênero. É uma aventura divertida, visualmente caprichada e consciente de sua própria identidade. Para quem, como eu, não cresceu assistindo ao desenho, o filme funciona como uma boa porta de entrada para esse universo. E para quem tem uma ligação afetiva com He-Man, provavelmente será uma viagem ainda mais especial.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Backrooms - Um Não-Lugar

 


Título no Brasil: Backrooms - Um Não-Lugar

Título Original: Backrooms

País; EUA

Ano: 2026

Direção: Kane Parsons 

Roteirista: Roberto Patino 

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Existe algo profundamente desconfortável em lugares que parecem familiares demais. Aqueles corredores infinitos de escritório, iluminados por lâmpadas fluorescentes cansadas, onde o silêncio parece ter peso e o ar parece preso no tempo. “Backrooms: Um Não-Lugar” entende perfeitamente esse medo moderno e transforma uma creepypasta da internet em um dos filmes de terror mais inquietantes do ano.

Mesmo sem ser alguém mergulhada no universo de fóruns, analog horror ou teorias infinitas da internet, o filme funciona justamente porque acessa um tipo de ansiedade muito universal: a sensação de estar perdido em espaços que deveriam ser normais. E talvez seja isso que torne tudo tão assustador.