Título no Brasil: Dia D
Título Original: Disclosure Day
Ano: 2026
Direção: Steven Spielberg
Roteirista: David Koepp
Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth
Nota: 4/5
Por Amanda Gomes
Steven Spielberg voltando à ficção científica é sempre um acontecimento. Mesmo para quem não acompanha toda a filmografia do diretor de forma obsessiva, existe aquela expectativa inevitável de reencontrar um pouco da magia de filmes como “E.T”. ou “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”.
A trama acompanha personagens que acabam envolvidos em uma conspiração ligada à existência de vida extraterrestre e à tentativa de impedir que certas informações cheguem ao público. Entre perseguições, segredos governamentais e acontecimentos inexplicáveis, Spielberg constrói uma história que mistura suspense, ficção científica e aventura, sempre colocando as emoções humanas no centro da narrativa.
O grande destaque do filme é Emily Blunt. Sua Margaret, uma apresentadora da previsão do tempo que passa a experimentar fenômenos que desafiam qualquer lógica, é de longe a personagem mais interessante da história. A atriz consegue equilibrar humor, vulnerabilidade e estranhamento com muita naturalidade, trazendo humanidade até para os momentos mais absurdos do roteiro. Josh O'Connor também funciona bem como um dos protagonistas, enquanto Colin Firth entrega um antagonista eficiente, embora pouco memorável.
O problema é que “Dia D” parece dividido entre dois filmes diferentes. De um lado, existe uma ficção científica intrigante sobre empatia, comunicação e o impacto que uma revelação dessa magnitude teria sobre a humanidade. Do outro, há um suspense de ação cheio de perseguições, fugas improváveis e sequências que lembram franquias como “Missão: Impossível”. Nem sempre essas duas propostas conversam tão bem entre si.
Spielberg continua sendo um diretor extremamente habilidoso. O filme é visualmente elegante, mantém um bom ritmo e consegue despertar curiosidade sobre seus mistérios. A trilha sonora, mais uma vez, ajuda a amplificar a emoção de determinadas cenas, e há momentos que resgatam aquele olhar otimista e quase infantil que marcou tantos de seus clássicos.
Ainda assim, saí da sessão com uma sensação curiosa: gostei do filme mais do que desgostei dele, mas esperava me sentir mais impactada. “Dia D” é envolvente, sincero e até emocionante em alguns momentos, mas parece hesitar justamente quando poderia ir mais fundo nas consequências de sua própria premissa. Quando finalmente chega a hora das grandes respostas, a resolução soa menos grandiosa do que a expectativa construída ao longo do caminho.
No fim das contas, Dia D está longe de ser um dos melhores filmes da carreira de Spielberg, mas também passa longe de ser uma decepção completa. É uma ficção científica feita com coração, interessada nas pessoas antes dos efeitos especiais e que ainda acredita que o desconhecido pode despertar esperança em vez de medo. Talvez não seja um novo clássico, mas é o tipo de filme que nos lembra por que Spielberg continua sendo uma das vozes mais importantes do cinema: porque, mesmo quando não acerta completamente, ele nunca perde a capacidade de nos fazer olhar para o céu e imaginar que existe algo maior lá fora.







